Uma das maiores queixas das mulheres em nossos dias, é de que lutam com todo o empenho para conquistarem determinado homem que amam de paixão, no entanto não conseguem de seus amados o compromisso, e nem que “assumam” as relações. Muitas são conquistadas, e quando se entregam...são mais do que rapidamente abandonadas e ficam a "ver navios".
Para alguns homens, a busca inquieta pela conquista, toma o lugar da estabilidade na relação. O grande objeto do desejo é a conquista e não o conquistado.
Para aquele que seduz, a concretização da conquista traz a monotonia, e desta forma, as relações são rápidas e sem nenhum vínculo afetivo.
Segundo Jung, os efeitos do complexo materno, a princípio positivo, podem gerar distúrbios psíquicos, como o homossexualismo, a impotência sexual e o don juanismo. No homossexualismo, por exemplo, a heterossexualidade do filho fica presa à mãe de forma inconsciente. Já no don juanismo, a imagem da mãe é a imagem da mulher perfeita, que não possui defeito e que está sempre de prontidão para atender os desejos do homem. Esta figura materna, fortemente registrada na psique do homem interfere cada vez que o portador se apaixona por uma mulher e sente-se atraído sexualmente por ela...e assim que realiza a conquista.
A conquista é o “lugar” aonde acontece a comparação e toda a paixão desaparece repentinamente deixando a relação sem graça e desinteressante. Aí chega a “decepção”, e ele interrompe a relação. Não consegue firmar laços duradouros porque busca a perfeição em todas as mulheres, acabando por encontrar defeitos em todas. Na verdade, este tipo de homem está sempre procurando a imagem da mãe nas outras mulheres. (as vezes a relação com a mãe foi boa demais, gerando a dificuldade da quebra de vínculo no inconsciente).
No entanto, outros fatores são observados no comportamento daqueles que apresentam a síndrome de Don Juan ou Don Juanismo, que não necessariamente afetam somente homens, mas também mulheres (Don Juanismo feminino ou também a ninfomania).
Um dos outros fatores vastamente observados, é o complexo de rejeição que traz consigo a característica do medo de amar.
Muitos homens interessantes, inteligentes, algumas vezes já estabilizados profissionalmente na vida, não conseguem de forma alguma amar uma mulher e se dedicarem a ela, pois temem o abandono. E desta forma, o comportamento fica sempre no plano da conquista, pois temem o envolvimento afetivo verdadeiro, e o sofrimento que porventura advenha desta relação de compromisso.
A conquista passa a ser o objetivo e quando concretizada, eles sabem que necessitarão firmar laços afetivos e convivência duradoura...o que os assusta e os afasta. E assim partem para nova conquista que se afigure como novidade.
Podemos observar no Don Juanismo apresentado como comportamento advindo do complexo de rejeição, que o portador lidou muitas vezes a vida inteira com o abandono paterno, ou materno...e foi construindo ao longo do tempo a idéia de que não é capaz de ser amado. Por esta razão não ama, pelo medo da decepção.
Um outro fator também observado no comportamento do portador da síndrome, é o caso de abuso sexual na infância, apesar de algumas correntes na psicologia ou na psiquiatria não concordarem que haja ligação.
Existem ainda, aqueles casos de amor não finalizado, em que o homem saiu da relação e procura em todas as outras relações desesperadamente, a imagem de sua amada, que o abandonou ou deixou de amá-lo. Isto o estimula a manter a imagem do conquistador, para a preservação de seu ego, porém como existe a comparação latente e sutil, nenhuma mulher consegue de fato preencher a lacuna deixada na sua lembrança.
Ao contrário do que se pensa, o portador do Don Juanismo sofre, pois se vê incapaz de criar vínculos relacionais, pois a causa ou o motivo pelo qual ele tem este tipo de comportamento, não lhe são claras e a única sensação é a lacuna ou grande vazio experimentado na alma, por não conseguir viver a fundo nenhuma relação.
A forma de superar este problema, é principalmente tomar consciência do que originou esta síndrome....Isto poderá acontecer através da terapia, aonde se busca a fundo reforçar a consciência sobre si mesmo e sobre os comportamentos inexplicáveis, além de entender que muito melhor que a conquista é viver a relação de amor com cumplicidade, que faz de um outro ser o complemento de seu próprio ser no caminho da existência.
“O amor é o sentimento curativo para a alma de todos os homens”.
Ana D´Araújo