"O Autopiedoso olha para sí e só vê um rio de lágrimas a correr sem destino ou paradeiro"...
A autopiedade é uma das sensações mais silenciosas da nossa vida.
Na maioria das vezes é imperceptível, pois o autopiedoso não pode perceber-se enredado por sí mesmo.
Alguma vez você já "chorou na frente do espelho", ao ver a sua própria imagem?
Para alguns, o sentimento da autopiedade é tão forte, que eles se fazem vítimas da "má sorte", sem perceber.
Estas pessoas carregam em sí todas as dores do mundo e se sentem inferiores em todas as coisas.
Algumas pessoas vem a terapia alegando outro motivo...e quando começam a contar a sua história de vida, eu percebo claramente que o maior problema desta pessoa é a autopiedade.
Há um vicio instalado na alma, de se sentir a escória do mundo. O próprio sentimento de inferioridade, advém de uma dose grande de autopiedade.
O autopiedoso tem grande dificuldade em manter relacionamentos, pois ele sempre acredita que seu par permanece com ele apenas por ter pena...pois não
se considera bom o bastante para ser amado verdadeiramente. Tudo é ameça e aparenta fragilidade.
É certo que como meio de defesa pessoal e natural, é comum que exista em nós uma certa dose de autopiedade, mas isto se torna o nosso maior problema quando ultrapassa a linha da normalidade.
E qual é a linha da normalidade?
A "pena de si mesmo" é um sentimento inerente ao ser humano.
Com certeza, se você puder analisar a sua vida desde a infância, você se lembrará de muitos momentos em que lutou de forma involuntária para se proteger de alguem ou de alguma situação, ou mesmo de um sentimento. Se uma pedra for atirada em sua direção, você involuntariamente se protegerá. É o reflexo da auto-defesa. E trazendo isto para o campo das emoções ou dos sentimentos, observamos as mesmas reações instintivas de auto proteção.
Um exemplo disto: Uma pessoa que tem medo de ser traída, investirá tempo e energia procurando indícios do seu próprio medo como forma de auto-proteção. É o caminho do reflexo natural. Quase inevitável.
Neste sentido, a autopiedade é um sentimento natural, quando está dentro dos limites instintivos.
Mas isto se torna um problema, além da linha da normalidade, quando este sentimento piedoso, paralisa e maltrata com sofrimento aquele que o possui.
Eu comecei a achar interessante quando conversava com pessoas e elas me diziam a mesma coisa.
“Ana, eu costumo me olhar no espelho todos os dias e chorar com pena de mim mesmo.”
Eu ouço isto quase todos os dias...e penso logo...”Olha a autopiedade exagerada novamente”....
Mas isto não pára aí. Este sentimento penoso sobre sí mesmo...vai muito além. Vejamos aqui de forma prática, alguns comportamentos autopiedosos.
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Em um relacionamento, pessoas autopiedosas costumas achar que são sempre vítimas e que precisam mendigar o amor de alguem.
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Nas relações familiares também. Normalmente são pessoas que se sentem o “patinho feio” da família, ou o rejeitado. E mesmo que os familiares dêem provas de que isto não é verdadeiro, nada muda este sentimento autopiedoso de quem o possui.
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Nas relações de amizade o mesmo. A pessoa está num grupo de amigos, e dois outros amigos falam algo em segredo....a tendência é sempre pensar que falam “mal” do autopiedoso.
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Não se sentem dignas nunca de nada...Pois a sensação de rejeição é mais forte do que a de dignidade.
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Alguns paralisam, pois como não se sentem capazes...preferem dar um “stop” na vida e se acomodam assim. Quando o desafio aparece, ele logo diz: “Eu não sou capaz”....e isto é tudo!
Bem, poderia dar muitos exemplos práticos, mais isto certamente seria exaustivo...
A autopiedade se mistura ao complexo de inferioridade, pois o complexo de inferioridade é fruto da autopiedade.
Como detectar a autopiedade e superar este sentimento?
Olhe para si mesmo e perceba quantas vezes você se torna a vítima de situações que na verdade não deveriam ser tão importantes.
Um olhar que não foi correspondido por alguma distração da outra pessoa, uma palavra não correspondida no momento esperado, uma atenção dividida com outros, por parte de alguem que você ama, etc. O que isto tem provocado em você? Vitimização?...pena de sí?....Como você reage a estas coisas? Chora?...muda de humor?...Olha pela “janela cinza” da sua existência?....Examine-se a sí mesmo e responda.
Para superar a autopiedade, em primeiro lugar é necessário reorganizar em sua mente quem você de fato é, e quais são os seus verdadeiros valores.
Você já parou para pensar que os seus valores não devem ser obtidos pelo critério do julgamento de outros, mas pelo que você sabe sobre sí mesmo e o que você conhece sobre as suas capacidades pessoais?
E quem pode avaliar com precisão a sua capacidade pessoal a não ser você mesmo, na medida em que você desenvolve o autoconhecimento?
Se eu conheço a mim mesmo e sei do que sou capaz, eu poderei saber que valores eu carrego em mim. Isto deve bastar para viver a vida em completude e realização.
Lembre-se, o autoconhecimento é o caminho para a realização pessoal e pode salvá-lo dos laços da autopiedade.
Faça uso do seu espelho imaginário e sorria para ele com alegria e contentamento.
Ana D´Araujo
Fev 2010